
As origens dos povos assírios estão associadas aos povos semitas que viviam na região do Cáucaso e que migraram para o planalto de Assur, na Alta Mesopotâmia. Os assírios estabeleceram-se nessa região, que hoje compreende o norte do atual Iraque, por volta do ano 2.400 a.C., período em que fundaram a cidade de Assur em homenagem ao deus de mesmo nome , formando um dos mais importantes impérios da Mesopotâmia. Muitos dos centros urbanos construídos pelos assírios são, hoje, redutos de grande valor histórico e arqueológico. Cidades como Nínive, Assur e Nimrod estão entre esses centros.


Entretanto, o império assírio só se ergueu efetivamente por volta de 1.300 a.C. e perdurou até 612 a.C., legando à história das civilizações que se desenvolveram no Oriente Médio várias características, como sua “máquina de guerra”.
O impacto da presença assíria no Oriente Médio pode ser observado em diversos relatos de outros povos que com eles conviveram. Um exemplo é o dos hebreus, que, em diversas passagens dos livros do Antigo Testamento, citam referências assírias, como a cidade de Nínive. Entre as principais características dos assírios estava o fato de serem essencialmente uma civilização de guerreiros, isto é, uma sociedade militarizada, a começar pela estirpe real.

A chamada “máquina de guerra” dos assírios compreendia a formação do provável primeiro exército organizado da História, isto é, um exército que devia sua eficiência à sua organização funcional, que se dava entre arqueiros, lanceiros, carros de combate e cavalaria. Foi através de seu exército que os assírios conseguiram submeter várias das civilizações da Mesopotâmia ao seu jugo.

Um dos métodos utilizados pelos assírios para manter a sua hegemonia sobre os territórios conquistados eram as práticas de crueldade extrema contra os guerreiros inimigos capturados. Os soldados vencidos sofriam desde mutilações diversas (dedos, orelhas, narizes e olhos arrancados) até o empalamento, que consistia na introdução de uma estaca perfurante de madeira no ânus ou no umbigo.


Último dos reis da Assíria (669-630/627 a. C.), também chamado Sardanápalo nos textos gregos, era filho de Assaradão (reinou entre 680-669 a. C.).
Dotado de notável inteligência, sensibilidade, e de uma invulgar capacidade estratégica e militar, foi um grande conquistador, conseguindo durante o seu longo reinado elevar o Império Assírio ao seu máximo esplendor, nunca esquecendo de fomentar as artes e as ciências.
Retomou a guerra iniciada por seu pai contra os inimigos egípcios, acabando por conquistar o Egito. Em 666 a. C., na sua primeira expedição à terra inimiga, Assurbanipal e os seus homens confiscaram o delta, tornando-se os seus senhores e conquistaram Mênfis e Tebas. Expulsos pouco tempo depois por uma revolta nacional, Assurbanipal enviou um novo exército que obrigou o faraó Tanutamon a fugir para a Etiópia. Perante isto, o rei assírio reconquistou Tebas, acabando por a destruir em 663 a. C.

Todas estas campanhas não impediram Assurbanipal de ser um grande impulsionador da arte, ciência e literatura. No seu palácio da capital da Assíria, Nínive, magnífico pela qualidade dos seus relevos, este rei empreendeu uma verdadeira obra cultural, construindo uma biblioteca onde foram encontradas milhares de tábuas gravadas em escrita cuneiforme que guardavam todo o saber da Mesopotâmia.
Depois da sua morte no Palácio de Nínive, o Império Assírio entrou em decadência, não conseguindo os seus sucessores recuperar o esplendor dos velhos tempos e evitar a sua desagregação.

A Biblioteca de Nínive, um dos mais importantes legados da Mesopotâmia para a história, foi encontrada no século 19 por arqueólogos ingleses. Ela pertencia ao rei assírio Assurbanipal 2º (século 7 a.C.) e era composta por uma coleção de mais ou menos 25 mil plaquetas de argila (material usado para escrita na época), com textos em cuneiforme, muitos deles bilíngues, em sumeriano e acádico.
Considerada a primeira biblioteca da história, a Biblioteca de Nínive guardava compilações de diversos tipos de texto: cartilhas sobre o mundo natural, geografia, matemática, astrologia e medicina; manuais de exorcismo e de augúrios; códigos de leis; relatos de aventuras e textos religiosos.

A mais famosa obra literária da Mesopotâmia é a Epopeia de Gilgamesh. Gilgamesh é uma figura semilendária e teria sido rei da cidade-estado de Uruk, por volta de 2.700 a.C. Mas tudo que se conhece a respeito desse rei deve-se à epopeia construída em torno de seu nome, encontrada em 12 plaquetas de argila que constam do acervo da Biblioteca de Nínive.
Nínive foi destruída em 612 a. C., por uma coligação de babilônios, citas e medos, um antigo povo iraniano. Acredita-se, que durante a queima do palácio, um grande incêndio deve ter devastado a biblioteca, fazendo com que os tabletes de argila cuneiforme se tornassem parcialmente cozidos[9]. Paradoxalmente, este evento potencialmente destrutivo ajudou a preservar as placas. Assim como textos foram escritos em argila, alguns podem ter sido inscritos em placas de cera, os quais, devido à sua natureza biológica, foram perdidos. porém foi encontrada no século XIX por arqueólogos ingleses.

